Aprenda como precificar seu artesanato

Aprenda como precificar seu artesanato

Empreender no mundo do artesanato é desafiador, mas traz muita recompensa à alma (e ao bolso) se você possuir boas ideias, gostar de executar todos os processos e tiver vontade de aprender. Neste terceiro quesito, Eder Machado, de volta ao blog, dá uma mãozinha apresentando seis passos para quem quer começar a estruturar a base do seu negócio e precificar seu artesanato.

Veja também:
5 dicas para viver de artesanato e ter sucesso no seu negócio

1. Não use outras pessoas como parâmetro.

Mesa preparada para o curso festa aniversário da princesa da eduK

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Considere sempre o seu objetivo pessoal. Na sua trajetória empreendedora, encontrará muitos artesãos e artesãs com metas diferentes, desde a busca de uma renda extra para uma viagem até mesmo o financiamento de uma faculdade ou tornar sua arte como sua fonte de renda principal.

Por isso é você quem vai definir o perfil do seu negócio, o seu objetivo e quanto quer ganhar.

2. Entenda a diferença entre salário e lucro.

Peças feitas para o curso encadernação: peças para mamãe e bebê da eduK

Peças feitas para o curso encadernação: peças para mamãe e bebê da eduK

Lucro é o que sustenta o negócio, é o retorno positivo que serve para reinvestir no próprio negócio (em materiais, ferramentas, manutenção e o aprendizado de novas técnicas etc.). O investimento em capacitação sai do lucro. É o retorno que permite que seu negócio continue melhorando e crescendo.

Salário é pago para quem desempenha uma função no negócio. Você tem que ter um salário, independentemente de ser o proprietário ou o empregado de um negócio. A artesã tem que ter um salário dentro do negócio que ela tem. O artesão tem dois papéis: colaborador e proprietário. Como colaborador, deve receber um salário e, como proprietário, vai ter participação dos lucros do negócio (com capacitação, por exemplo).

3. Entenda a diferença entre custo fixo e variável.

Entenda como precificar seu artesanato

Como precificar seu artesanato?

Custo fixo: é o custo que a pessoa tem independentemente de ter vendas, por exemplo:

  • Internet;
  • Aluguel do ateliê;
  • Site/loja virtual;
  • Salário;
  • Luz;
  • Telefone.

Em resumo, são todos os custos que você sabe que virão todo mês para fazer funcionar o negócio.

Custo variável: é em função da produção. Mais produção significa um aumento de custos em materiais e ferramentas, se tiver menos produção, o custo diminui, por exemplo:

  • Material (varia em função do volume de vendas);
  • Frete;
  • Embalagens;
  • Imposto sobre vendas;
  • Comissões de venda (por ex.: taxa de comissão da loja virtual).

Portanto tudo que depende da quantidade de produtos gerados no seu negócio vai criar um custo variável.

4. Defina o seu salário e como incluí-lo no preço dos seus produtos

Pense no seu salário com o mesmo carinho que finaliza suas peças

Pense no seu salário com o mesmo carinho que finaliza suas peças

Se você fosse contratar alguém para fazer o que você faz, qual seria o salário dessa pessoa? O ordenado tem obrigatoriamente uma relação direta com a complexidade e qualidade do que o artesão produz.

Mas como definir um salário “possível”? O que deve ser levado em consideração?

Considere seus investimentos em capacitação. O valor e qualidade do seu trabalho aumentam conforme você se especializa. O cliente percebe que a peça tem mais qualidade; isso diferencia seu produto, seu atendimento e a sua experiência como profissional. Seu salário pode aumentar.

Considere também o tempo de experiência (sua reputação é construída no mercado) e a dificuldade da peça (o nível de dificuldade é maior ou menor?). Não se desanime e não brigue por preço. Se diferencie, agregue valor a seu produto e nunca dispute para oferecer o menor preço. Isso não é nada saudável já que todos perdem, inclusive o cliente, que tende a receber um produto de qualidade inferior. Países como a China produzem em grande escala, mas o produto artesanal é exclusivo! Se a pessoa quer um produto barato, ela não quer artesanal. Seu cliente é aquele que busca algo único.

Para incluir o salário dentro do custo fixo da peça, faça o seguinte exercício:

É importante planejar e definir seu salário antes de precificar suas peças

É importante planejar e definir seu salário antes de precificar suas peças

Vamos a definir um salário de R$ 800 como exemplo. Divida o salário pelo número de horas trabalhadas no mês, digamos que são 40 horas semanais, o que no mês são 160 horas. Agora divida esses R$ 800 pelas 160 horas/mês e vai descobrir o valor da hora trabalhada. R$ 5/hora.

Para incluir o valor do seu salário no preço de suas peças, pense:

Quantas horas leva para fazer a peça em questão? Se numa peça em particular você leva duas horas para fazer, o valor a ganhar por mão de obra são R$ 10 de salário. Fora o custo fixo e o variável. Adicione ao valor da peça o quanto gastou de materiais, custos variáveis e flexíveis e você terá o preço final do produto.

5. Desconstruindo o preço de um produto

Considere primeiro seus custos mensais, como fizemos com o salário, e divida pela hora de produção de cada peça:

Exemplo: uma peça que demora uma hora vai custar:

[su_table]

*Valores hipotéticos, use os seus custos para montar sua planilha
Custos fixos Custo mensal Custo/hora
Internet R$80.00* R$0.50
Aluguel do ateliê R$1200.00* R$7.50
Luz R$120.00* R$0.75
Telefone R$50.00* R$0.31
Salário R$800.00* R$5.00
Site/loja virtual R$100.00* R$0.62

[/su_table]

*Valores hipotéticos, use os seus custos para montar sua planilha

[su_table]

Custos variáveis Custo mensal Custo/hora
Materiais R$300.00* R$1.87
Frete R$150.00* R$0.93
Embalagens R$140.00* R$0.87
Imposto sobre vendas R$200.00* R$1.25
Comissões do site R$75.00* R$0.46

[/su_table]

*Valores hipotéticos, use o seu lucro para montar sua planilha

[su_table]

Total custos da peça R$20.06
Lucro 30%* R$6.01
Preço da peça R$26.07

[/su_table]

6. Estudo de mercado

Peças do curso Técnicas de forração: kits e acessórios femininos feito por Simone Aguiar

Peças do curso Técnicas de forração: kits e acessórios femininos feito por Simone Aguiar

Digamos que o preço final do produto é de R$ 26. Vá ao mercado e analise se seu preço está compatível.

Se você encontra a mesma peça sendo vendida por R$ 27 e uma outra R$ 25, você está dentro de um preço competitivo de mercado. Se você verifica que seu preço está acima, diminua a margem de lucro. O estudo de mercado ajuda a definir a margem de lucro de cada peça e fazer um posicionamento competitivo.

Considere também a qualidade dos produtos na hora de comparar preços. Um bom acabamento pode posicionar seu produto num patamar acima do que o dos seus concorrentes.

7. Defina uma quantia para reinvestir no negócio. E por que isso é importante?

Marcia Satiko preparando seu curso Bolsas e mochilas em patchwork para a eduK

Marcia Satiko preparando seu curso Bolsas e mochilas em patchwork para a eduK

É fundamental reinvestir no negócio. Lembra do lucro? Ele volta aqui para fazer a manutenção do espaço de trabalho e suas ferramentas, comprar um novo computador, por exemplo, investir em capacitação, se atualizar em técnicas e tendências, ir em feiras e eventos etc.

O lucro ajuda também na hora de imprevistos. Se alguma ferramenta falhar ou precisar de manutenção, o desgaste normal de peças que precisam ser trocadas periodicamente. Esses gastos saem do lucro. Mas como definir o lucro? Depende do seu objetivo, planejamento e da sua estratégia. Onde você imagina o seu negócio em um ano? Quanto lucro você precisa para chegar lá? Você pode sim trabalhar acima da média do mercado, exige posicionamento.

Essa visão é uma visão voltada para o pequeno empreendedor e artesão. Seja MEI ou ainda não regularizado, é uma forma simplificada da composição de preço.

O que você achou das dicas? Se ainda estiver com dúvidas, escreva para a gente e não duvide em consultar o curso do Eder sobre vender artesanato na internet, ou o curso da Jo Ludwig, como precificar seu artesanato.

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11 comentários
  • Soraya Teixeira Silva

    dezembro 13th, 2015 17:10

    Que alento ver uma matéria técnica e lúcida sobre custos e precificação de artesanato. Os mitos que encontramos no meio artesão só prejudicam e desvalorizam a qualidade das peças. Adorei, muito obrigada!

    Responder
    • Karina Díaz

      dezembro 15th, 2015 12:11

      Que bom que você gostou Soraya! Com certeza tem muita informação confusa ao redor deste tema, mas fica aqui este conteúdo, a disposição de quem precisar! =)

      Responder
  • Gislaine Rosa

    dezembro 27th, 2015 14:17

    Boas dicas!!!

    Responder
  • caroline mendes

    fevereiro 22nd, 2016 12:28

    Estava em dúvida em relação aos preços do meu artesanato , este post foi o mais simples e explicou tudo o que queria saber . Parabéns!!

    Responder
  • Jú Marcio Luiz Josué

    março 3rd, 2016 14:27

    Ótima matéria, esclareceu sem ficar complicando.

    Responder
  • Mari ferreira santos

    abril 30th, 2016 22:07

    Excelente matéria!

    Responder
  • Lóide Gonçalves Caetano

    maio 1st, 2016 6:53

    Que bom,foi está matéria mim esclareceu muito, sobre os preços, obrigado bjos.

    Responder
  • Maria do Carmo da Silva

    novembro 8th, 2016 14:33

    adorei a materia

    Responder
  • Ellen Maria Fonseca Marques

    novembro 10th, 2016 12:05

    Muito bem explicado pela primeira vez eu realmente entendi a fundo como lidar com a precificação do meu artesanato. Muito obrigada.

    Responder
  • Renata Alves dos Santos

    janeiro 2nd, 2017 6:46

    Olá, bom dia! Decidi colocar em pratica um sonho muito antigo, abrir minha loja de aviamentos e peças prontas , pois sou artesã, faço trabalhos em tecidos, pactwork. quero abrir em fevereiro, ja achei uma sala, e fechei negocio, mas estou perdida, não sei por onde começar, moro em Criciuma SC, pretendo ir para São Paulo fazer as comprar, mas tbm não sei os tipos de moveis utilizados, melhor dizendo, estou perdida, mas não vou desistir, quero muito. vcs poderiam me ajudar? Obrigada.

    Responder
  • Patricia Cinat Cruz

    maio 20th, 2017 16:47

    Olá colegas Ótimas informações por aqui mas ainda tenho uma dúvida qto ao custo do material. Eu faço bolsas e nécessaires. Como faço para colocar nessa tabela os valores dos materiais usados sendo que os modelos das peças diferem em tamanhos ? Uma peça maior usa mais material p ser feita . No exemplo acima está só materiais 300,00. Nos outros itens compreendo a relação. Será que eu devo fracionar o que gastei com material? Tenho dificuldade nessa parte, principalmente qdo a cliente pede vários itens, por exemplo, várias nécessaires para organizar a mala de viagem. Agradeço muito as informações Patricia

    Responder

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