Que tal viajar o Brasil explorando diferentes técnicas de bordado?

Que tal viajar o Brasil explorando diferentes técnicas de bordado?

Ao invés de avião, carro ou ônibus, técnicas de bordado. Tocantins, Ilha de Marajó, Sergipe, Paraíba, Piauí, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul… A exposição A Casa Bordada, em cartaz na capital paulista, é uma viagem completa a todas as regiões do Brasil. Não importa se você entende ou não de técnicas de bordado: certamente uma das mais de 200 peças expostas vai tocar o seu coração e te levar a algum lugar guardado em sua memória afetiva.

Cena típica retratada em peça feita por artesãs da Central Veredas, da cidade de Arinos, em Minas Gerais. Técnica de bordado livre

Cena típica retratada em peça feita por artesãs da Central Veredas, do município de Arinos, em Minas Gerais: técnica de bordado livre

Trabalho do Ateliê Janela Carioca, do Rio de Janeiro: bordado da vovó combina pintura retratando o cotidiano da favela carioca Santa Marta

Trabalho do Ateliê Janela Carioca, do Rio de Janeiro: bordado da vovó combinado à técnica de pintura  para retratar o cotidiano da favela Santa Marta

A Casa Bordada reproduz a estrutura de uma casa, só que construída com pano, agulha e linha! Paredes, portas, janelas, cômodos e divisórias são delicadamente feitos em tecidos bordados à mão por mestres bordadeiras e bordadeiros dos 27 Estados brasileiros, representados por 60 participantes de diversos grupos e associações. A ideia original é da diretora do museu, Renata Mellão, e a curadoria do designer de artesanato, Renato Imbroisi que selecionou pessoalmente cada um dos bordados ao longo de dois anos de viagens pelos mais diversos rincões do país.

A Casa Bordada traz peças representativas da identidade cultural de cada Estado Brasileiro, revelando a riqueza de conhecimento, modos de fazer, habilidades de reinventar e preservar a trajetória de cada um e de todos nós. São bordados de utilização, técnica e tipologias variadas – lencinhos, colchas, panôs, panos e paninhos, livros, ornamentos folclóricos. Janelas abertas para celebrar a habilidade manual e a paixão de levar a vida com a agulha na mão” – Renato Imbroisi, designer de artesanato

Trabalho feito por grupo de bordadeiras da Ilha do Ferro, povoado à beira do Rio São Francisco que tem o bordado Boa Noite como forte referência cultural

Trabalho feito por grupo de bordadeiras da Ilha do Ferro, povoado à beira do Rio São Francisco que tem o bordado Boa Noite como forte referência cultural

Por trás de cada peça bordada existe a história de um brasileiro ou de uma brasileira, como Emilia, bordadeira há sete anos, e Louriza que aprendeu a bordar com a mãe e a professora, ainda na infância. Ambas são fundadoras do grupo Bordadeiras da Chapada dos Guimarães que traduz, em peças artesanais e originais, a cultura e história de uma das regiões mais lindas do país.

Emília (à esquerda) e Louriza: bordadeiras da Chapada dos Guimarães vieram a São Paulo para divulgar a arte e a importância da preservação das mais variadas técnicas de bordado

Emília (à esquerda) e Louriza: bordadeiras da Chapada dos Guimarães vieram a São Paulo para divulgar a arte e a importância da preservação das mais variadas técnicas de bordado

A fauna e a flora do Cerrado também estão presentes nos bordados da Neom: resgate e fortalecimento da cultura tradicional

A fauna e a flora do Cerrado também estão presentes nos bordados do grupo: resgate e fortalecimento da cultura tradicional

Nas manhãs risca o pano, passa a linha, fura o pano, fura o dedo, corta a linha, prende o ponto, refaz o ponto, troca a linha, ponto cheio, ponto atrás, ponto haste, correntinha, pé de galinha, pé de galinha duplo, chavão, cheio, asterisco, nó francês, margarida, caseado, caseado duplo, três irmãos, escama de peixe, confusão, torçal, torçal lateral, sianinha, sianinha duplo, ponto e, areia, espiga, mosca, rede, flor caseada, flor teia de aranha, flor dália, rocoó, reto, corrente duplo, alinhavo… E o silêncio da criação é rompido pela sinfonia das aves anunciado que o sol se põe… pronto! Bordamos a história de mais um dia.”

Existem, ao menos, 200 pontos de bordado. Nesta peça, alguns exemplos dessa tradição secular

Existem, ao menos, 200 pontos de bordado. Nesta peça, alguns exemplos dessa tradição secular

Muito mais que uma exposição, a Casa Bordada é um levantamento inédito do bordado, técnica trazida por colonizadores e imigrantes e que acabou ganhando diferentes características, usos e costumes nacionais, ao mesmo tempo semelhantes e distintos entre si, como, por exemplo, o bordado com lantejoulas e pedraria característico do Bumba Meu Boi maranhense ou o ponto russo praticado em Primavera do Leste, no Mato Grosso, ensinado por uma comunidade de imigrantes russos às bordadeiras locais, que utilizam apenas fios de algodão puro, já que se trata de uma região de intenso plantio de algodão.

Em Paço do Lmiar, no Maranhão, Douglas Lopes produz peças bordadas com a esposa e as filhas: ponto cruz, bordado com canutilhos e miçangas (crédito da foto: Marcos Muzi)

Em Paço do Lumiar, no Maranhão, Douglas Lopes produz peças bordadas com a esposa e as filhas: ponto cruz, bordado com canutilhos e miçangas (crédito da foto: Marcos Muzi)

São mais de 200 pontos diferentes a serem conhecidos e, por que não, aprendidos. Hoje existe um intenso movimento de resgate a essa arte tão comum em tempos passados. Jovens, como as artesãs do Clube do Bordado, levantaram essa bandeira e ganharam centenas de adeptas. Cada vez mais, as novas gerações estão se interessando pelo bordado e revisitando diferentes técnicas para expressar suas ideologias em peças únicas, desejadas e atuais.

Bordados em bastidor, com técnicas mistas, ensinados pelas meninas do Clube do Bordado, em curso na eduK

Bordados em bastidor, com técnicas mistas, ensinados pelas meninas do Clube do Bordado, em curso na eduK

Se animou a aprender e conhecer mais sobre técnicas de bordado? A eduK tem cursos exclusivos com especialistas no tema. Conheça cada um deles, ajude a manter viva essa tradição e embarque em uma incrível viagem pela história do Brasil! Até o próximo post 🙂

Internos e internas do sistema prisional da cidade de Goiás, resgatam o bordado em programa do Projeto Cabocla que proporciona capacitação e geração de renda: poesia de Cora Coralina em bordado livre

Internos e internas do sistema prisional da cidade de Goiás, resgatam o bordado em programa do Projeto Cabocla que proporciona capacitação e geração de renda: poesia de Cora Coralina em bordado livre

VAI LÁ:

EXPOSIÇÃO A CASA BORDADA
De 11 de maio a 13 de agosto  de 2017
Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h30
Onde: A CASA museu do objeto brasileiro
Av. Pedroso de Morais, 1216, Pinheiros, São Paulo, SP

 

 

 

 

 

 

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